Quero teu sopro
Hálito morno
Leve como brisa
Na ponta da língua
Pós noturna
Pela fresta pré-matina
Atravessando de leve
Sem pressão, nenhuma pressa
Os nós de nós
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Frágil
Ele me esquece para não lembrar que me despeço
Eu não insisto para disfarçar quando ele desiste
Nós dois fingimos que é fácil o mais difícil
Eu não insisto para disfarçar quando ele desiste
Nós dois fingimos que é fácil o mais difícil
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Arrebol

A cortina acena leve
Vela a tarde que perdura
Nos sinais vermelhos.
É vela e leva
Tédio e medo de uma esquina,
A toca de toda minha história
Que se desterra
Faço contas. Conto-me
Coisas desta terra
Tórrida de lembranças.
Desconto dúvidas,
Pago dívidas,
Deixo o corte.
Destravo-me
Desta vida aberta sob o cinza
Céu rasgado por tuas mãos
Na minha pele lisa
É despedida em riste
Arrebatada do papel sem uso
Onde escorrem idéias em fuga
- Plenas de azul, meu léu -
Arrebentam a moldura frágil
Ponta deste adeus crispado
Fortes, na vaga da minha felicidade,
Navegam meus gatos
Nas caixas, livros e quadros
Rumo ao sertão, seu sol
Minha morada real
sábado, 10 de janeiro de 2009
Rotina
Jaguar domesticado - meu gato
Abana o rabo,
Boceja enfado
Sem sedução,
Um vento velho nas janelas
Vaza - sem talvez - a presença de sim e não
Da noite vazia, restos na tarde de cochilos
Flagra fatal na ilusão
Calam-se os urros do ar em flâmulas imóveis
A vida vai
A curva vem
O sono dele em vão
O tempo parou
Vou?
Fui, acabou
Abana o rabo,
Boceja enfado
Sem sedução,
Um vento velho nas janelas
Vaza - sem talvez - a presença de sim e não
Da noite vazia, restos na tarde de cochilos
Flagra fatal na ilusão
Calam-se os urros do ar em flâmulas imóveis
A vida vai
A curva vem
O sono dele em vão
O tempo parou
Vou?
Fui, acabou
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Puro Sangue
Na paisagem inerte
Passeia uma era
E um olhar se perde
No passo desta tarde
Imóvel como um fóssil
Um cavalo castanho
Monta em pêlo
Meu coração selvagem
E atropela o crepúsculo
Assustado pelo estranho centauro
Raçado de músculo e sentimento
Passa aos trancos
Zunindo risos no caminho
Metade é meu homem
Outra parte é ele ainda
Mais másculo
Nos cascos e coices
Galopa por uma noite
Meu peito moído pelo tempo
Passeia uma era
E um olhar se perde
No passo desta tarde
Imóvel como um fóssil
Um cavalo castanho
Monta em pêlo
Meu coração selvagem
E atropela o crepúsculo
Assustado pelo estranho centauro
Raçado de músculo e sentimento
Passa aos trancos
Zunindo risos no caminho
Metade é meu homem
Outra parte é ele ainda
Mais másculo
Nos cascos e coices
Galopa por uma noite
Meu peito moído pelo tempo
sábado, 3 de janeiro de 2009
Cinza , tarde e tédio
Siesta
Bolinha de pêlo aninhada
Minha gata machucada
Amassa nas patas sua dor
No meu braço
O ninho do seu desamparo
Nossa identidade animal
Mínima
Na tarde rajada
De cinza e tédio
A gata não pensa
Sente o ar
Tão fêmea e desesperada
Menos animal mais apressada
Próxima
Seguro a cabeça
Dor do pensar
Na pele que sente
No mal-estar sem apelo
Diante dele que me quer
Farra felina sem ser fera
Sexo
Sou mulher sem ser cativa
Apenas festa sem par
Capricho
Assim mesmo
Sou aquela sem texto
Sussurro de bicho
Fujo
Bolinha de pêlo aninhada
Minha gata machucada
Amassa nas patas sua dor
No meu braço
O ninho do seu desamparo
Nossa identidade animal
Mínima
Na tarde rajada
De cinza e tédio
A gata não pensa
Sente o ar
Tão fêmea e desesperada
Menos animal mais apressada
Próxima
Seguro a cabeça
Dor do pensar
Na pele que sente
No mal-estar sem apelo
Diante dele que me quer
Farra felina sem ser fera
Sexo
Sou mulher sem ser cativa
Apenas festa sem par
Capricho
Assim mesmo
Sou aquela sem texto
Sussurro de bicho
Fujo
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Útilfútil
broken_heel
Originally uploaded by fedaa.
Iludida, cobra
Desde a véspera
A dívida indevida
Víbora
Ela espera da vida
Um troco ainda que pouco
Porque é convencida
Louca
Acredita ter controle
Sobre ele - o seu amor
A crédito gravado a frio
Crédula
A cada madrugada
Grávida de sua vaidade
Estéril e vaga
Frágil
Ela sabe e mal vê
Que ele se entrega e navega
Ao lado, os braços largos de outra diva
Cega
Menos trágica, mais alegre
Menos regra, mais verdade
Menos fútil, mais útil
Toda leve, menos ela
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Al dente
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Para ti, Paraty

Sob teu eclipse fui lua
Esplêndida sem tua sombra
Na praça fui beleza
Branca e aberta sem teus limites
Na ponta da tua caneta negra
Fiquei nua sem tua trava
No peso do teu traço fui leveza
Em tua desgraça fui a graça
Nessa tua escrita construída, fui natureza
Sentimento
Sem tua noite fui meu sonho
Sem teu medo
E na praia desta manhã
Sem vento
Teu sono é meu pesadelo
Acordei mais cedo
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Tatibitate
sábado, 27 de dezembro de 2008
Do amor à partida
A luz vaza no vão
Da janela nua
E vaga na tela.
Raio retardado de estrela
Rastro de lua, o olhar
Repara a paisagem familiar,
Perdida no vácuo
De uma saudade prévia
Suspensa na passarela da partida
Da janela nua
E vaga na tela.
Raio retardado de estrela
Rastro de lua, o olhar
Repara a paisagem familiar,
Perdida no vácuo
De uma saudade prévia
Suspensa na passarela da partida
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Convergência

Covergência, parceria com Marcos Pontes
Ele:
Me vi em seus olhos como num espelho
Escorado na vida como em frio poste
À espera de tua chegada definitiva.
Segui seus passos, passo a passo,
Pelas calçadas frias de vida incompleta;
Abri o abraço ansiando de corpo inteiro
Enquanto seu corpo não vinha;
Apressei o tempo na ampulheta cheia
E os segundos demoraram a cair.
Ela:
Descalça e distraída ia mundo afora
Meus rastros nas ilhas, nos desertos
Eram vagos, inesperadas trilhas
Nas avenidas - veredas minhas
As calçadas eram as passarelas
Onde sorri músicas dentro de bocas vazias
Dancei transes cerimoniais, nas horas fiz hora
Vivi os dias em passeatas contra amores gastos
Sem saber, sirguei teu rumo na crista dos minutos
Ele:
Vi passar alheado e roçando
Meus caminhos pelos seus;
Senti, sem querer, seu cheiro
Alisar minhas narinas descuidadas;
Percebi ao alcance do meu toque curto
Suas costas alvas, salpicadas de querer.
O que antes era distância e nada
Tornou-se constância percebida.
Nossas rotas retas bifurcaram-se.
Ela:
Nesse mundo amplo de pequeno, zanzamos
Até que seu verso fisgou minha retina.
E se foi encontro premeditado, profecia
Ou destino aninhado em golpe de sorte,
Pouco importa. Vale o traço da tua mão
Sobre a linha da minha vida aberta
À experiência -limite e embargo
Entre o prazer da tua cadência
O toque do meu ritmo - vibra a nossa sinfonia
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Feliz Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente
Poema de Natal
Vinicius de Moraes

Recados, Gifs e Imagens no Glimboo.com
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente
Poema de Natal
Vinicius de Moraes
Recados, Gifs e Imagens no Glimboo.com
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Enquanto espero
O musgo coagulado nas fendas da calçada
E as horas escorrem pelas faixas - latitudes
Na ausência, ocos e ermos de esperança
Aqui, onde amanheço mais cedo
Espero
A bailarina aparece na tela
De lá, onde a tarde começa
Na intimidade, a alma vacila
E a vida é promessa
A conversa amena disfarça a ameaça
A hora se aproxima
Da janela, vejo a imbaúba
Árvore mãe
Abrigo da orquídea salpicada de vermelho
Sua filha
A umidade nos telhados revela
Traços de sangue no orvalho
E as horas escorrem pelas faixas - latitudes
Na ausência, ocos e ermos de esperança
Aqui, onde amanheço mais cedo
Espero
A bailarina aparece na tela
De lá, onde a tarde começa
Na intimidade, a alma vacila
E a vida é promessa
A conversa amena disfarça a ameaça
A hora se aproxima
Da janela, vejo a imbaúba
Árvore mãe
Abrigo da orquídea salpicada de vermelho
Sua filha
A umidade nos telhados revela
Traços de sangue no orvalho
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Stand by me
Ao meu lado, quero o presente, a verdade e a beleza discreta das ruas, do cotidiano das cidades!
Quero você cada vez mais perto
Quero a serenidade dos amigos sinceros,
A calma dos dias curtos e simples
A vida aberta e meus frutos fortes
Quero meus gatos e todos os bons abraços
Boas festas!
When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No, I won't be afraid
No, I won't be afraid
Just as long as you stand
Stand by me
So darling, darling,
Stand by me,
Oh, stand by me
Oh, stand,
Stand by me
Stand by me
If the sky that we look upon
Should tumble and fall
Or the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry,
No, I won't shed a tear
Just as long as you stand
Stand by me
Quero você cada vez mais perto
Quero a serenidade dos amigos sinceros,
A calma dos dias curtos e simples
A vida aberta e meus frutos fortes
Quero meus gatos e todos os bons abraços
Boas festas!
When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No, I won't be afraid
No, I won't be afraid
Just as long as you stand
Stand by me
So darling, darling,
Stand by me,
Oh, stand by me
Oh, stand,
Stand by me
Stand by me
If the sky that we look upon
Should tumble and fall
Or the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry,
No, I won't shed a tear
Just as long as you stand
Stand by me
domingo, 14 de dezembro de 2008
Por um triz
A tarde invadiu a noite,
Quando partiu um pássaro
O mar bateu no ventre.
Sob a ponta do salto preso
Ao medo de tropeçar no ar
Quase fugiu um chão afoito.
Trêmulo, o coração flertava
Com um presságio:
Coágulo desgarrado da razão
Alerta que filtrou com força
O destino frágil
Agarrou a vida e esvaziou a morte
Na maré vazada que trouxe
Palmas altas nas águas das promessas,
Doces, flores e milagres de volta à casa.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Convite

Vem todo
E sobe no meu céu.
É seu o mundo sobre cada poro
Entra quando e como sempre
Eu menos quiser, sem medo.
Forra meu pêlos com sereno
Com seus milagres, molha meu sonho
Traga minhas delícias na relva dos cílios.
Vela meu sono, num contorno de carícia,
Trisca minha língua vívida
Roça meu peito ávido
Com sua voz rouca, instiga-me.
Abre o porto e fecha a trilha do não
Sem perder a linha, satisfaz minha lira,
Ache o quase e veja no beijo, o sim
Amy Winehouse and Paul Weller - Don´t Go To Strangers
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Vigília
Que no mesmo instante,
Tanto e tudo sejam
Desejo de ser tua
Cativa
Amante
Amiga
Para receber-te viva
Reter-me, unívoca,
Em ti.
Tanto e tudo sejam
Desejo de ser tua
Cativa
Amante
Amiga
Para receber-te viva
Reter-me, unívoca,
Em ti.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Restos

Distância
Assegurando esta vigília
Vaga solta que tomba.
Estrondo e lágrimas.
É trilha na garganta
Gosto de choro grosso e morno.
Silêncio
Engolido, molhado
Sorvendo sono, secando sonho.
O beijo perdido no beco
Fundo do silêncio
Que prende o ar.
No escuro do fim,
Dois gatos esperam
Sem resposta.
Restos sem rastro
De esperança sem registro, espectro
Onde pousam as patas sem passos.
Nina Simone - I want a little sugar in my bowl
Construtor

Faz o dia aparecer
Devagarzinho e logo cedo
Enternece a vida
Traz alegria esquecida
Faz carinho com a voz
Depois, cria ninho
Faz a casa ser mais linda
Cuida da vida
Com a paz em cada passo
Assopra longe os medos
E acorda alegre
A pele do segredo
Faz a manhã feliz
E quando volta, traz a tarde
No beijo com abraço
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