sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Viveu

Vazou dos olhos água morna

Varou a noite chuva grossa

Viveu de costas uma vida

Velou a morte com seu corpo

 

Ardeu na cama entre desejos

Andou descalço sobre vidros

Armou nas trilhas arapucas

Acabou os dias nas cadenas

 

Bebeu do sangue congelado

Bateu de frente no destino

Bailou sem pernas outra valsa

Bisou desgraças dia a dia

 

Mamou do leite sempre frio

Manteve fechadas suas portas

Minou de ódio seus amores

Morreu sozinho de si mesmo.

2 comentários:

Compulsão Diária disse...

Estamos aqui um comentando o outro enquanto não aparece mais ninguém.
é interessante porque, de certa forma, ao ler aqui é como se fosse a primeira vez.
Este excelente viveu fala desse outro em nós . todos nós que ao escrevermos avança e nos ajuda a ver a vida antes de acabar. Viveu é uma belíssima leitura da experiência de si.
Viva a vida em perspectiva e , por que não viva a retrospectiva;)

jurandir disse...

belos poemas
saudação!!